terça-feira, 18 de janeiro de 2011

"Dança na Escola" (Ana Carolina Mundim)

Dança na Escola: Uma experiência de Arte Educação no Ensino Médio
Ana Carolina Mundim: Graduada em Dança pela UNICAMP, Mestre em Artes pela
UNICAMP, Doutoranda em Artes pela mesma Instituição, integrante do GPDT República
Cênica, coordenadora do PADES (Projeto Artístico para o Desenvolvimento Social),
Professora externa da PUC-Campinas - (mundim@iar.unicamp.br)
Publicado no jornal “Dança Arte & Ação”, setembro/outubro 2002,
nº 54 (Jornalista Responsável: Jason Vogel - Reg. MT nº 19071 ) e
na revista "Diálogos Possíveis", edição especial com os Anais da 9th
daCi international conference (fevereiro a agosto de 2003).
Resumo
Muito tem se falado sobre os benefícios do ensino de dança na Escola, sobretudo
visto que sua prática possibilita o exercício de determinados elementos como ritmo,
consciência corporal e espacial, respiração, entre outros, que favorecem o desenvolvimento
da expressão artística por meio do movimento corporal e do indivíduo como cidadão
sensível.
O relato aqui apresentado diz respeito à experiência docente na área de dança,
realizada em um colégio técnico profissionalizante de Campinas (COTUCA), no período
dos anos 2000 a 2002. Esta é elaborada a partir de uma óptica que difere da formação
"tradicional", aqui considerada aquela que toma como base a repetição de exercícios préconcebidos
pelo professor. Assim, a figura do professor/educador se apresenta como um
facilitador para o desenvolvimento da expressão corporal artística e o que se produz durante
o período de aulas passa a ser o resultado de um processo criativo também (ou
principalmente) do aluno.
Palavras-Chave: - educação - escola - dança - jogo - criação
Abstract
There are many benefits in teaching dance at School, especially taking into account
that its practice provides the exercise of specific elements as rhythm, study of the space,
body consciousness, breathing, among others, which help the development of artistic
expression through body movement and through each person as a sensitive citizen. This
text is related to an experience in teaching dance to teenagers, which occurred from 2000 to
2002 in a technical high school, called COTUCA, located in Campinas - Brazil. The course
was elaborated based on a view which differs from a “traditional” dance education,
considered here as the one which consists on the repetition of previous established
exercises created by the teacher. Thus, the teacher in this project becomes a person who
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helps the development of the body artistic expression and what is produced during the
classes becomes not a result of copy but a result of each student´s creative process.
Keywords: education, school, dance, play, creative
As aulas: Aplicação dos conteúdos e constatações práticas
Ministramos aulas abertas em caráter extra-curricular para todos os cursos da escola
(Enfermagem, Mecânica, Plásticos, Eletroeletrônica, Informática, Alimentos, Ambiental,
Segurança do Trabalho, Equipamentos Médicos - Hospitalares, Telecomunicações, Gestão
pela Qualidade e Produtividade, Projetos Mecânicos Assistidos por Computador, Materiais
Metálicos), podendo formar turmas com alunos de diversas áreas. A faixa etária varia entre
catorze e dezoito anos. O conteúdo programático consiste na aplicação de jogos e
atividades envolvendo princípios do movimento corporal expressivo.
Embora as aulas sejam não-obrigatórias, ou seja, os alunos a procuram por vontade
própria, na aplicação dos elementos propostos, percebemos que alguns grupos
caracterizam-se pela dificuldade de concentração nas atividades. Por exemplo, na
experiência com uma turma de enfermagem, ao realizarem os jogos sem a atenção devida,
dispersos, não havia retorno, não havia uma resposta corporal: moviam-se de qualquer
maneira e a aula tornou-se uma seqüência de brincadeiras sem nenhum propósito. Dessa
forma, realizamos uma atividade de relaxamento. Esta atividade não apenas foi aceita,
como estimulou a participação de outras alunas. Começamos a perceber que
conseguiríamos atingir alguns dos objetivos do projeto inicial se déssemos continuidade a
esse trabalho. E assim foi feito.
Consideramos relevante destacar o fato de que foi por meio do relaxamento que
conseguimos cativar as alunas agitadas. Isto nos leva a refletir: a que se deve esse fato? Por
que foi justamente a "ausência" de movimentos, presentes nos exercícios de relaxamento,
que conquistou um público geralmente apaixonado pela agitação? Será que a aceleração
presente no processo social chegou em seu patamar mais alto, a ponto da tendência natural
se transformar na busca pela diminuição deste ritmo frenético de vida? Ou será que o
crescente aumento da violência, o avanço tecnológico, o desenvolvimento da sociedade de
consumo e o bombardeio diário de novas invenções e descobertas estão transformando as
pessoas em seres cada vez menos sensíveis, de tal forma que elas começam a buscar meios
de resgatar a emoção? Será que a influência da mídia e das danças erotizadas, que crescem
vertiginosamente, não estão encaminhando os adolescentes de hoje para uma explosão
constante de energia, deixando pouco espaço para que eles voltem a si mesmos? Sabemos
que o relaxamento possibilita o contato do indivíduo consigo mesmo e propicia a
interiorização do ser dentro de um contexto de mundo tão exteriorizado. Seria este o
motivo?
Talvez a oportunidade de auto-conhecimento suscite uma nova forma de lidar com
situações cotidianas e com esse mundo externo, deixando-o menos denso, menos difícil de
se viver. Quando uma pessoa passa a se conhecer melhor, o que inclui a percepção de
qualidades e defeitos e a possibilidade de assumi-los ou modificá-los, ela também se torna
mais apta a reconhecer o outro como ser humano passível a erros e acertos. Isso pode
contribuir para a construção de relações mais profundas ou menos "descartáveis". Dessa
forma, o conteúdo torna-se mais importante do que a forma, ou seja, as idéias e opiniões, os
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princípios e valores do outro tornam-se mais cobiçados do que o culto ao corpo e à dança
erotizada que se expande.
O processo desta turma foi interessante. Gradativamente ela foi se "rendendo" às
aulas. Pensamos que a maior dificuldade encontrada no relaxamento é a vulnerabilidade a
qualquer interferência exterior e os alunos superaram esta questão a partir da percepção de
resultados positivos provenientes do trabalho desenvolvido e da construção de uma relação
de confiança com o elemento externo mais evidente: o professor.
A aula também contribuiu, por meio da realização de atividades de massagem, para
a sensibilização do toque no outro. Embora os alunos estivessem se profissionalizando em
enfermagem, eles tinham dificuldade de entrar em contato com o corpo do colega: um
paradoxo. Alguns alunos colocaram que as aulas contribuíram para combater o esforço
realizado no estágio prático de enfermagem. Atribuíram ainda à atividade de relaxamento o
fato de terem conseguido boas notas em provas realizadas após as aulas que ministrávamos.
Pudemos também observar como a dança estava oferecendo auxílio para os alunos, que
eram futuros enfermeiros: funcionava como meio de sensibilização para estar percebendo
mais claramente o outro, bem como uma oportunidade de cuidar de si mesmos, já que
passavam o dia canalizando a atenção ao corpo alheio (do enfermo). É fundamental
perceber que este tipo de trabalho tem contribuído tanto na formação profissional dos
alunos como na formação humana.
No geral, a maior dificuldade que encontramos se refere à ausência de um
vocabulário corporal. A proposta consiste em aplicar jogos (normalmente a alunos
iniciantes) que desenvolvam habilidades corporais e ritmo, que auxiliem no estudo da
coordenação motora e que contribuam para uma melhor percepção do espaço e das
capacidades respiratórias. Como as atividades são apenas orientadas, mas a movimentação
parte dos corpos dos próprios alunos (e a maioria chega às aulas sem experiência em
nenhuma atividade ligada à área da dança) , torna-se difícil para eles perceber o que podem
criar. Sendo assim, algumas vezes acrescentamos seqüências pré-estabelecidas ligadas
diretamente à temática do dia. Isso auxilia bastante nos jogos posteriores, pois, de certa
forma, faz com que os alunos percebam que podem utilizar várias articulações, diferentes
ritmos e qualidades de movimento1, o que enriquece o repertório corporal individual. Por
meio desta atitude, despertamos para a necessidade que o ser humano tem de copiar um
modelo, que está presente desde a infância quando o bebê começa a repetir palavras e sons
que ouve, a repetir ações que observa... Isso o estimula a se desenvolver, o faz descobrir
novas possibilidades. Com o adolescente, e também com o adulto, o processo não é muito
diferente. No entanto, esses recursos são utilizados apenas quando necessários no início do
curso, se estendendo até que os alunos percebam suas próprias capacidades criativas, sem a
necessidade de “muletas”. Outras vezes, buscamos auxílio de objetos concretos, como
bolas, bancos, cordas etc., para estimular o jogo e o surgimento da movimentação. Dessa
forma, facilitamos os caminhos para que o aluno descubra suas possibilidades de criação
individual, evitando o risco de que ele se acomode com a repetição mecânica de
movimentos e acabe utilizando-os em um momento que seria de entrar em contato com o
próprio corpo e sua expressividade.
Na maioria das turmas temos conseguido atingir uma característica especial: o
envolvimento com a realização das atividades. Uma dinâmica coletiva de trabalho se
estabelece de modo que a construção de estudos coreográficos surja e se desenvolva como
um empenho da turma. Em alguns casos há um ímpeto natural de manter somente as
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seqüências "pré-concebidas" que ensinamos, mas , aos poucos, vamos mostrando-lhes a
importância que há, para o trabalho, uma composição que seja deles.
Quando a turma opta por terminar o semestre com uma apresentação, a seleção das
músicas é feita por seus integrantes. Por se caracterizar por um material produzido pelos
alunos, não gostamos de interferir nas escolhas referentes a este processo. Apenas
orientamos e damos sugestões, quando solicitadas. No entanto, buscamos apresentar,
durante todas as atividades desenvolvidas, músicas que não fazem parte do universo de
"mídia"2, ao qual os alunos estão habituados, com o objetivo de mostrar alternativas em
relação a um modelo estabelecido. Tendo em vista que a escolha realizada comumente foge
desse formato rígido, percebemos a relevância que existe na atitude do professor em
mostrar propostas que se diferenciam do que é usual. Isso nos fez refletir sobre alguns
meios que a dança possui de introduzir novos conceitos e questionar padrões pré-fixados,
contribuindo para a formação de um pensamento mais crítico. Muitas vezes o aluno gosta
de um estilo musical “massificado” , pois só tem essa referência. Cabe ao professor o dever
de abrir um universo de possibilidades para que o aluno tenha a possibilidade de escolha.
Em uma turma de Alimentos só conseguimos estabelecer um diálogo quando
entramos na proposta da dança de rua com as músicas que elas escutam (tema da novela,
clips da MTV etc). Após inúmeras tentativas de expor um caminho alternativo, percebemos
que a turma abandonaria o curso se não cedêssemos seus interesses naquele momento. No
entanto, no decorrer das atividades fomos mostrando, gradativamente, outros caminhos
possíveis que a dança e a música poderiam proporcionar à turma. Depois de um ano de
trabalho, conseguimos verificar um início de dissolução desses moldes, quando nos
deparamos com a realização de um trabalho criativo criticando a massificação, a partir de
um poema de Drummond (escolhido por eles), que incluía a escolha de elementos sonoros
diferentes dos padronizados, bem como estudo coreográfico desenvolvido pela própria
turma. Não queremos aqui dizer que modificamos os gostos deles. Em absoluto. Apenas
mostramos novas alternativas nas áreas das artes, com o objetivo de ampliar seu
conhecimento e oferecer a possibilidade de um novo entendimento dos aspectos que as
circundam. Cremos que, dessa maneira, poderão ser mais livres para desenvolver seu poder
de decisão, estabelecer parâmetros de qualidade e afirmar seus gostos pessoais
(reconhecendo-os dentro de um contexto global).
A produção cênica (maquiagem, figurino e calçados) também propicia momentos de
reflexão e discussão. Com a preocupação de reduzir ao máximo os custos, é criada uma
dinâmica de empréstimos entre os participantes e/ou confecção artesanal (com sucatas,
retalhos etc), o qual ajuda para uma integração do grupo e estimula o senso de
responsabilidade para com o colega.
Algumas reflexões
Essa experiência nos oferece a oportunidade de ensinar a dança de uma forma que
não estávamos habituados. Transmitíamos nossos conhecimentos através de códigos de
dança muito específicos, o que trazia um retorno de técnica muito bom, mas não estimulava
a criatividade dos alunos. Com o projeto que desenvolvemos nessas turmas, pudemos
contribuir para o florescimento do aspecto lúdico e para uma maior conscientização
corporal. Nesse caso, a técnica (que consideramos aqui como um conjunto de normas
específicas rigidamente formatadas) não é o elemento privilegiado. O movimento é
produzido a partir de um corpo que expressa sentimentos e vida.
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Nesse momento pensamos: será que a técnica é necessária para as pessoas que
querem se servir da dança com fins não profissionais? E concluímos que não. Ela, na
realidade, é mais uma opção e não a única. A sua utilização também pode ser explorada,
sem que haja uma dependência, ou seja, pode-se utilizá-la sem se prender a sua rigidez. A
outra opção é não utilizá-la e buscar um corpo expressivo por meio de atividades lúdicas.
No entanto, se a escolha for a não utilização, deve-se tomar cuidado para não se "fazer de
qualquer jeito". A ausência de um padrão não significa descontrolar-se, fazer qualquer
coisa, realizando movimentos sem um eixo, sem um propósito.
Pensamos que é possível passar aos alunos, por meio da prática, alguns dos
conceitos básicos que são atribuídos à dança, como a responsabilidade com seu próprio
corpo, a relação com o outro, a disciplina, a concentração. E esses fundamentos são
apreendidos por necessidades que surgem durante as atividades, e não por imposição.
Este tipo de trabalho também auxilia para a quebra de alguns preconceitos como
“homem que dança é homossexual” e “artista é vagabundo”. O processo se dá a longo
prazo, mas com o tempo dissolvemos esses “gessos sociais”. No primeiro caso, os meninos
começam a perceber que conhecer o próprio corpo e se expressar por meio dele é algo
natural e agradável e que a opção sexual de cada pessoa não está relacionada às atividades
realizadas por ela. No segundo caso, todos os alunos verificam, por exemplo, o quanto é
trabalhoso realizar a pré e a pós produção de uma apresentação artística, o que faz com que
eles deêm mais valor aos trabalhos artísticos que apreciam posteriormente e aos seus
respectivos autores e intérpretes.
Propostas democráticas de criação cênica (onde todos opinam) exigem muito mais
do professor do que a imposição de um modelo pré-estabelecido. Coordenar todas as
opiniões, orientar por meio de sugestões o que poderia ser melhor do nosso ponto de vista e
manter disciplina e respeito, são bem mais difíceis de lidar nessa situação. O professor,
dessa maneira, tem mais trabalho, mas o resultado final, bem como o processo, são
extremamente produtivos e prazerosos para ambas as partes.
Os conteúdos que desenvolvemos parecem ser bem recebidos pelas turmas, como é
possível perceber nas avaliações que realizamos. É curioso, no entanto, notar que a palavra
dança, para eles (de um modo geral), inicialmente existe como uma concepção que é fruto
da massificação. O que é considerado aula de dança é apenas o axé ou o forró. Tentamos
introduzir uma idéia mais ampla do assunto a partir das atividades que propomos e de
discussões. Por meio da análise dos relatórios que são entregues ao fim de cada semestre,
podemos observar que há, normalmente, uma mudança na forma de pensar a dança.
Alguns alunos expõem que as aulas ajudam a relaxá-los do estresse que a rotina dos
cursos profissionalizantes impõem. Notamos que existem forte padrões estabelecidos no
ensino profissionalizante que enfocam apenas a área exata e técnica e desvaloriza a área
humana, tornando a formação dos alunos cada vez mais restrita e carente no que se refere
às relações interpessoais e ao aprendizado sensível. O apoio do COTUCA às Artes nos
parece uma exceção à regra educacional que se apresenta no Brasil hoje, e isso só tem sido
possível pelo fato da diretoria e de um grupo de representantes dos pais, alunos e
professores (que compõem a Associação de Pais e Mestres), entenderem a necessidade do
incentivo à cultura para o desenvolvimento desta comunidade e a ação efetiva que este
produz. No papel de orientar as aulas de dança, temos a preocupação de que elas não se
limitem ao lazer, mas que sejam uma forma prazerosa de adquirir conhecimentos artísticos
e humanos a serem desenvolvidos pelos próprios alunos enquanto indivíduos em seu
cotidiano.
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A formação de um público que assista dança também é uma preocupação como
educadora. A medida em que os alunos se envolvem com as aulas, divulgamos
apresentações de dança que ocorrem na cidade de Campinas. Dessa maneira, estimulamos o
interesse dos alunos em relação ao assunto, o que podemos confirmar a partir do momento
em que eles próprios, muitas vezes, começam a procurar notícias sobre dança e trazê-las
para a sala de aula.
Para contribuir com a ampliação do conceito de dança e com o estímulo de
formação de espectadores, começamos (juntamente com os outros professores de Artes:
Artes Visuais e Teatro), um trabalho de desenvolvimento de eventos culturais, que hoje
vêm se implantando como um calendário cultural anual permanente. Este calendário
consiste em:
1) Apresentações de estudos coreográficos dos alunos freqüentadores do curso que
ministramos. Embora sejam optativas, a maioria dos alunos decide vivenciar
este exercício. Esta prática é prevista para ocorrer duas vezes por ano;
2) Semana Interdisciplinar: Professores de Artes e Português trabalham
conjuntamente sobre o mesmo tema durante o semestre, culminando na
apresentação de trabalhos dos alunos em uma semana pré-determinada.
3) Semana de Artes: período em que grupos profissionais de dança e teatro são
contratados para apresentar espetáculos na própria escola. A curadoria é
realizada pelos professores de Artes e há uma preocupação em selecionar
trabalhos de caráter inovador, resultantes de pesquisas nessa área.
4) Semana de Vídeos de Arte: mostra que inclui , entre outros, vídeos de grupos
profissionais de dança contemporânea. Esta atividade é prevista para ocorrer
duas vezes ao ano. No entanto, estamos iniciando um processo de construção de
acervo para o colégio, com o intuito de facilitar o acesso à pesquisa, não o
restringindo apenas a essas semanas .
5) Passeios Culturais: ida a espetáculos de dança, teatro e exposições com alunos
interessados.
As atividades são gratuitas (com exceção dos passeios culturais), e abertas a toda
escola: funcionários, professores e alunos. O mais valioso é que temos conseguido
implantar um sistema, no qual, principalmente os alunos começam a se interessar pelas
atividades, independente de estarem diretamente vinculados ao curso que ministramos.
Alguns alunos, inclusive, se interessam pelo curso após irem a alguma programação
cultural do colégio.
Estamos realizados com o resultado que temos alcançado, pois podemos verificar
que temos instaurado modificações que favorecerão a formação dos alunos. Um exemplo
disso é que o trabalho de dança desenvolvido na escola não é obrigatório para nenhuma
turma. No entanto, a medida em que as aulas se constróem, os alunos que participam, em
sua maioria, percebem a necessidade do compromisso e da responsabilidade (disciplina,
pontualidade, freqüência) como elementos fundamentais para o aprendizado corporal.
"Valeu por acreditar no nosso potencial!"; "Ajudou-me a perder a vergonha.";
"Achei muito legal a maneira como você fez com que nossa coreografia surgisse"; "A
dança para mim é todo tipo de movimento que usa o corpo, satisfaz a mente e utiliza um
ritmo para ser realizado. É tudo aquilo onde a gente coloca os sentimentos...". As frases
destacadas acima, retiradas de relatórios de alunos, nos fazem ter a certeza de que não
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apenas é possível trabalhar a Dança com adolescentes na Escola Formal e na Escola
Técnica, mas é imprescindível que esta prática seja realizada. Para isso, o professor precisa
ter a sensibilidade para escutar as necessidades de cada turma e assim encontrar o caminho
que torne o trabalho mais adequado para cada caso específico. Os resultados obtidos neste
três anos de experiência apontam para a confirmação da relevância do trabalho artístico
inserido nos ensinos médio e técnico.
1Aqui, definimos qualidade de movimento como as diversas formas que o indivíduo possui de se movimentar.
Por exemplo: um movimento pode ser forte ou fraco, leve ou pesado, súbito ou lento, etc.
2Aqui considerado aquele que se ouve nas rádios e novelas todos os dias. Produtos comerciais em
superexposição e com forte produção de marketing.
Bibliografia
1) BERGE, Yvonne. Viver o seu corpo: Por uma pedagogia do movimento. São Paulo: Martins
Fontes, 1988.
2) BERTAZZO, Ivaldo. Cidadão Corpo: Identidade e autonomia do movimento. São Paulo: Sesc /
Opera Prima, 1996.
3) DANGELO, J. G., FATTINI, C. A., Anatomia Humana Básica. Belo Horizonte: Editora
Atheneu, 1995.
4) FITT, Sally Savey. Dance Kinesiology. New York: Schirmer Books, 1988.
5) MORGENROTH, J. Dance Improvisations. Pittsburgh: University of Pittsburgh, 1987.
6) SPARGER, Celia. Anatomy and Ballet. Londres: Adam and Charles Black, 1952.
7) ____________. Ballet Physique: with notes on stresses and injuries. Londres: Adam and Charles
Black, 1958.
8) STRAZZACAPPA-HERNADEZ , Márcia. O corpo en-cena. Dissertação de Mestrado,
Departamento de Metodologia do Ensino - Faculdade de Educação - UNICAMP, 1994.
9) WELLS, R. O corpo se expressa e dança. Rio de Janeiro: Ed. F. Alves, 1983.

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